Recentemente, vimos o anúncio da inauguração de novos leitos de referência cardiológica em São Paulo. É uma notícia positiva, mas que nos obriga a uma reflexão profunda sobre gestão hospitalar: até onde a expansão física resolve o gargalo sem a eficiência operacional?
Ampliar leitos sem revisar processos é, muitas vezes, apenas aumentar a área para o desperdício acontecer. O verdadeiro desafio da cirurgia cardiovascular hoje, especialmente no SUS, não é apenas a capacidade instalada, mas o throughput, a capacidade de fazer o recurso girar com segurança.
O papel estratégico do ERAS (Enhanced Recovery After Surgery)
Enfrentar as filas de espera exige uma mudança de paradigma. Protocolos como o ERAS mostram que a eficiência não é pressa; é cuidado estruturado.
Quando alinhamos a linha de cuidado da admissão à alta, os resultados são diretos:
– Redução da variabilidade clínica: Menos complicações e reinternações.
– Giro de leito inteligente: Reduzir o tempo de internação de forma segura libera capacidade para o próximo paciente sem precisar de tijolos e cimento.
– Valor em Saúde: Melhores desfechos clínicos com sustentabilidade financeira.
Do ponto de vista da gestão pública e hospitalar, a rotatividade de leitos é uma métrica de sobrevivência. Menos dias de internação por paciente, quando clinicamente seguro, significam mais vidas salvas com os mesmos recursos físicos e humanos.
A resposta para a fila da cirurgia cardíaca nem sempre cabe em um novo leito. Ela cabe em processos mais inteligentes e em uma gestão orientada por dados e evidências.
O que você considera o maior gargalo hoje: a falta de estrutura ou a ineficiência dos processos atuais?