Cardux

PBM: um pilar essencial na jornada do ERAS

O debate sobre a integração do Patient Blood Management (PBM) nos protocolos de Enhanced Recovery After Surgery (ERAS), especialmente na cirurgia cardíaca, tornou-se um pilar fundamental da medicina perioperatória moderna. Como destacado por especialistas no podcast The Cardiac Recovery Room, a anemia pré-operatória e a necessidade de transfusão são fatores de risco independentes que impactam diretamente a recuperação do paciente.

Abaixo, detalhamos como essa sinergia entre PBM e ERAS transforma o cuidado cirúrgico.

PBM: Uma Peça Chave na Jornada ERAS

Embora o ERAS vise otimizar a recuperação e reduzir complicações, a anemia perioperatória — que afeta entre 20% e 41% dos pacientes de cirurgia cardíaca — muitas vezes permanece subtratada. A convergência dessas duas metodologias oferece uma abordagem baseada em valor, focada na segurança e na experiência do paciente.

Os Três Pilares do PBM no Contexto Cirúrgico

A implementação eficaz do PBM dentro do protocolo ERAS estrutura se em três frentes principais:

  1. Gerenciamento Proativo da Anemia: Envolve o diagnóstico precoce (avaliação de hemograma e cinética de ferro) e o tratamento pré operatório com suplementação de ferro (oral ou IV), eritropoietina e vitamina B12/ácido fólico.
  2. Minimização da Perda de Sangue: Durante a cirurgia, utilizam se técnicas como o uso de antifibrinolíticos (ácido tranexâmico), recuperação de sangue (cell salvage) e ajustes na circulação extracorpórea (CEC).
  3. Otimização da Tolerância à Anemia: Foca em estratégias de transfusão racional, uso de dispositivos de coleta de sangue em circuito fechado para evitar coletas desnecessárias e monitoramento por viscoelastografia.

Benefícios e Sinergia

A integração do PBM nos caminhos do ERAS preenche uma lacuna crítica no cuidado. Quando aplicados de forma conjunta, esses protocolos potencializam os resultados:

  • Redução de Complicações: Menores taxas de morbidade e mortalidade associadas tanto à anemia quanto à transfusão excessiva.
  • Eficiência de Recursos: Redução do tempo de internação e diminuição do desperdício de hemoderivados.
  • Cuidado Centrado no Paciente: Alinhamento de intervenções preventivas e multidisciplinares que respeitam a fisiologia individual.
ElementoPapel no ERAS + PBM
MultidisciplinaridadeEnvolvimento de cirurgiões, anestesiologistas e hematologistas.
Evidência CientíficaProtocolos baseados em dados para gatilhos transfusionais e entrega de oxigênio.
Cultura InstitucionalNecessidade de educação contínua para sustentar a mudança de paradigma.

Conclusão

Como reforçado no artigo “The imperative integration of patient blood management into ERACS: bridging the gap for optimizing outcomes in cardiac surgery” (Borgomoni, Lima Júnior, Mejia e Jatene, 2025), a integração do PBM no ERAS não é apenas uma opção, mas um imperativo para alcançar a excelência em cirurgia cardíaca. Cuidar do sangue é cuidar do paciente, e essa união é o que define a medicina perioperatória de alta performance no cenário atual.


Referência e Acesso:

Borgomoni, G.B., Lima Júnior, F.A.S., Mejia, O.A.V. et al. The imperative integration of patient blood management into ERACS: bridging the gap for optimizing outcomes in cardiac surgery. Perioper Med 14, 124 (2025).

Acesse o artigo completo aqui

Translate »
Rolar para cima